Alguns posts em que é obrigatório dar like:
- Foto de perfil com os cabelos ao vento estilo pocahontas.
- Mudança de emprego, mas tem de ser um emprego fixe. Não pode ser: Tânia começou a trabalhar na caixa do pingo doce. Isso as pessoas não valorizam. Quanto mais inveja criar, mais likes dá.
- Filho novo. Se ainda tiver o cordão umbilical as pessoas metem aquele like que é um coração.
- Cão novo
- Namorada/o nova
- Sushi novo
- Combo: namorada nova com cão novo ao colo a comerem sushi novo. Este é tipo a fatality dos likes.
- Bolo de aniversário. Tem mesmo de ser bolo de anos lá com as velas, se for bolo de arroz ou torta dan cake não dá.
- Avós, mas têm de ser muito velhos. As pessoas metem mais likes se sentirem que pode ser a última foto que tiraram com aqueles avós.
Hoje é o dia mundial das inaugurações.
Normalmente para se inaugurar um sítio corta-se uma fita vermelha com uma tesoura. É por isso que quando nasce um bebé também lhe cortam o cordão umbilical. Às vezes até guardam e oferecem à professora da primária numa ocasião especial, ou então, se não guardaram o cordão oferecem um dente de leite num fio de ouro. Em princípio é mais limpinho, se não tiver cárie.
Há ainda a inauguração dos navios em que lhes atiram uma garrafa de champanhe.
Normalmente esta garrafa de champanhe é de vidro, porque quando é de plástico ficam ali às meias horas a fazer pontaria ao barco e a garrafa não parte. É tipo uma pinhata infinita, mas que só solta desilusão.
O problema do champanhe em garrafa de plástico é que como tem tampa de rosca, não tem rolha para saltar e não dá para fazer aquela brincadeira de fingir que nos atingiram num olho.
Depois há aquela inauguração que é só puxar a bandeira de uma placa. Essas são uma tristeza porque parece que vai haver um truque de magia, que vão fazer desaparecer qualquer coisa por baixo do pano, e depois quando puxam, por baixo está só uma placa com umas letras ao calhas. Mas as pessoas são burras e pensam mesmo que foi um truque de magia porque no final batem palmas e tudo.
Normalmente para se inaugurar um sítio corta-se uma fita vermelha com uma tesoura. É por isso que quando nasce um bebé também lhe cortam o cordão umbilical. Às vezes até guardam e oferecem à professora da primária numa ocasião especial, ou então, se não guardaram o cordão oferecem um dente de leite num fio de ouro. Em princípio é mais limpinho, se não tiver cárie.
Há ainda a inauguração dos navios em que lhes atiram uma garrafa de champanhe.
Normalmente esta garrafa de champanhe é de vidro, porque quando é de plástico ficam ali às meias horas a fazer pontaria ao barco e a garrafa não parte. É tipo uma pinhata infinita, mas que só solta desilusão.
O problema do champanhe em garrafa de plástico é que como tem tampa de rosca, não tem rolha para saltar e não dá para fazer aquela brincadeira de fingir que nos atingiram num olho.
Depois há aquela inauguração que é só puxar a bandeira de uma placa. Essas são uma tristeza porque parece que vai haver um truque de magia, que vão fazer desaparecer qualquer coisa por baixo do pano, e depois quando puxam, por baixo está só uma placa com umas letras ao calhas. Mas as pessoas são burras e pensam mesmo que foi um truque de magia porque no final batem palmas e tudo.
Quando há um bebé na sala toda a gente o quer beijar. Ali anda de mão em mão a receber beijinhos. É um bocado o que acontece na visita pascal com o menino jesus. Só que ao menino jesus, depois de cada beijo eles passam um pano para limpar. E ao bebé ninguém passa um guardanapo depois do beijo, ou uma toalhita, nada.
É esquisito pensar num bebé como foco de gripe A, mas andam a meter-se a jeito com tanto beijo.
As pessoas deviam passar aquele gel de álcool na bochecha do bebé depois de cada beijinho. E se a pele do bebé começasse a ficar seca, passavam um creme depois. Isto ia sempre demorar algum tempo e formava-se uma fila para dar beijos ao bebé, mas assim também se seleccionavam as pessoas que realmente queriam dar um beijo à criança.
Há pessoas que já perceberam isto e em vez de beijar na bochecha beijam o bebé na cabeça. Passar o gel no cabelo era um bocado nojento e gosmento, por isso o bebé podia meter uma daquelas toucas plásticas da natação. É mais fácil de limpar com o gel.
Há pessoas que se vão queixar que beijar um bocado de plástico a boca nem agarra e anda ali a deslizar na touca. Mas também há muita gente que mete botox nos lábios, continuam a beijar e ninguém se queixa do plástico.
É esquisito pensar num bebé como foco de gripe A, mas andam a meter-se a jeito com tanto beijo.
As pessoas deviam passar aquele gel de álcool na bochecha do bebé depois de cada beijinho. E se a pele do bebé começasse a ficar seca, passavam um creme depois. Isto ia sempre demorar algum tempo e formava-se uma fila para dar beijos ao bebé, mas assim também se seleccionavam as pessoas que realmente queriam dar um beijo à criança.
Há pessoas que já perceberam isto e em vez de beijar na bochecha beijam o bebé na cabeça. Passar o gel no cabelo era um bocado nojento e gosmento, por isso o bebé podia meter uma daquelas toucas plásticas da natação. É mais fácil de limpar com o gel.
Há pessoas que se vão queixar que beijar um bocado de plástico a boca nem agarra e anda ali a deslizar na touca. Mas também há muita gente que mete botox nos lábios, continuam a beijar e ninguém se queixa do plástico.
Dia do marcador de livro
Hoje é o dia internacional do marcador de livro.
Todos os dias é dia de alguma coisa. Ou é dia do amigo, ou o dia da rádio, dia das muletas, hoje calhou ser o dia do marcador de livro.
Antes de se inventarem os marcadores de livros, as pessoas metiam no meio do livro qualquer coisa que estivesse à mão, tipo uma pedra ou uma camisola, e se não encontrassem nada tinham de ler o livro até ao final. Era um bocado chato porque às vezes as pessoas tinham coisas combinadas, como uma cirurgia, mas só podiam sair de casa 300 páginas depois. E lembrem-se que na altura não havia telefones para as pessoas avisarem que iam chegar atrasadas. Deve ter havido gente numa pastelaria à espera durante anos por alguém que estava a ler o crime e castigo. Mas entretanto depois também apareceram os apontamentos da europa-américa e as esperas ficaram mais curtas porque aquilo é rápido de ler.
Hoje em dia há pessoas que boicotam os marcadores de livros e depois usam aquelas badanas que se dobram à capa e contra capa. Ninguém sabe bem ao certo se aquilo é para usar como marcador ou não. Mas se for para usar não tem jeito nenhum porque as páginas ficam todas engelhadas e levantadas, como se o livro estivesse num vendaval. O que até é confuso porque uma pessoa está em casa e as janelas estão todas fechadas.
Há uns tempos eu não tinha um marcador de livro à mão, por isso tirei uma foto ao número da página. Mas só depois é que me apercebi que não tinha tirado foto com o telemóvel mas sim com uma câmara de rolo, que nem sequer estava acabado. Tive de andar a tirar 23 fotos a oliveiras para acabar o rolo, depois revelar e perceber em que página ia. Era na 8.
Esta é uma dessas fotos que tirei:
Todos os dias é dia de alguma coisa. Ou é dia do amigo, ou o dia da rádio, dia das muletas, hoje calhou ser o dia do marcador de livro.
Antes de se inventarem os marcadores de livros, as pessoas metiam no meio do livro qualquer coisa que estivesse à mão, tipo uma pedra ou uma camisola, e se não encontrassem nada tinham de ler o livro até ao final. Era um bocado chato porque às vezes as pessoas tinham coisas combinadas, como uma cirurgia, mas só podiam sair de casa 300 páginas depois. E lembrem-se que na altura não havia telefones para as pessoas avisarem que iam chegar atrasadas. Deve ter havido gente numa pastelaria à espera durante anos por alguém que estava a ler o crime e castigo. Mas entretanto depois também apareceram os apontamentos da europa-américa e as esperas ficaram mais curtas porque aquilo é rápido de ler.
Hoje em dia há pessoas que boicotam os marcadores de livros e depois usam aquelas badanas que se dobram à capa e contra capa. Ninguém sabe bem ao certo se aquilo é para usar como marcador ou não. Mas se for para usar não tem jeito nenhum porque as páginas ficam todas engelhadas e levantadas, como se o livro estivesse num vendaval. O que até é confuso porque uma pessoa está em casa e as janelas estão todas fechadas.
Há uns tempos eu não tinha um marcador de livro à mão, por isso tirei uma foto ao número da página. Mas só depois é que me apercebi que não tinha tirado foto com o telemóvel mas sim com uma câmara de rolo, que nem sequer estava acabado. Tive de andar a tirar 23 fotos a oliveiras para acabar o rolo, depois revelar e perceber em que página ia. Era na 8.
Esta é uma dessas fotos que tirei:
A vida de uma pessoa não está assim tão bem se continua a forrar o fogão com papel de alumínio.
E quando está sujo em vez de tirar, mete outra folha de alumínio, e vai ali montando uma lasanha de sujeira.
Um pessoa olha para um destes fogões e parece que alguém se está a preparar para derreter plutónio em banho maria. Ou a fazer um cachimbo de crack gigante. Não que tenha fumado e saiba, mas já vi drogados em filmes e nas ruas por aí com uma prata e um isqueiro por baixo. Alguns tinham cara de quem curtia ter aquilo em tamanho maior mas têm vergonha de comprar daqueles isqueiros gigantes do Batatinha que vendem nos indianos. Por isso é que disse a cena do fogão. Não curto cigarros.
Um vizinho meu tinha destes alumínios sempre todos nojentos e cheios de restos de comida, côdeas e gordura. Quando cozinhava com o lume no máximo até começava a cheirar às comidas que ele feito nos dias anteriores porque aquilo derretia. Às vezes ele estava a cozer pescada mas cheirava era a panados de peru ou bife na pedra. E ele nem se lembrava de ter cozinhado isso! Sobretudo o bife na pedra, porque deveria lembrar-se de ter a casa cheia de fumo e ter de andar nas obras à procura de uma pedra para aquecer e meter um bife em cima com sal a gosto.
E quando está sujo em vez de tirar, mete outra folha de alumínio, e vai ali montando uma lasanha de sujeira.
Um pessoa olha para um destes fogões e parece que alguém se está a preparar para derreter plutónio em banho maria. Ou a fazer um cachimbo de crack gigante. Não que tenha fumado e saiba, mas já vi drogados em filmes e nas ruas por aí com uma prata e um isqueiro por baixo. Alguns tinham cara de quem curtia ter aquilo em tamanho maior mas têm vergonha de comprar daqueles isqueiros gigantes do Batatinha que vendem nos indianos. Por isso é que disse a cena do fogão. Não curto cigarros.
Um vizinho meu tinha destes alumínios sempre todos nojentos e cheios de restos de comida, côdeas e gordura. Quando cozinhava com o lume no máximo até começava a cheirar às comidas que ele feito nos dias anteriores porque aquilo derretia. Às vezes ele estava a cozer pescada mas cheirava era a panados de peru ou bife na pedra. E ele nem se lembrava de ter cozinhado isso! Sobretudo o bife na pedra, porque deveria lembrar-se de ter a casa cheia de fumo e ter de andar nas obras à procura de uma pedra para aquecer e meter um bife em cima com sal a gosto.
Nos concertos às vezes levanta-se um isqueiro aceso no ar.
Quando se gosta de uma música fazemos aquilo que se deve fazer quando estamos rodeados por uma alcateia de lobos: agitar no ar uma coisa a arder.
É por isso que sempre que vou acampar no mato levo lume, mas também um cd com baladas do Michael Bolton.
Quando se gosta de uma música fazemos aquilo que se deve fazer quando estamos rodeados por uma alcateia de lobos: agitar no ar uma coisa a arder.
É por isso que sempre que vou acampar no mato levo lume, mas também um cd com baladas do Michael Bolton.
A vida de um actor deve ser lixada. Luta para conseguir um papel importante. Luta para ganhar um óscar. E quando vemos o filme, o mais difícil é lutar pela nossa atenção quando há notificações no telefone.
Coitado do Anthony Hopkins que tem de fazer uma actuação mais incrível que a notificação do evento "prenda para o Ricardo". Comprem qualquer coisa da vida é bela, vá que agora é a cena do cérebro!
Coitado do Anthony Hopkins que tem de fazer uma actuação mais incrível que a notificação do evento "prenda para o Ricardo". Comprem qualquer coisa da vida é bela, vá que agora é a cena do cérebro!
O problema do cinema 3D é que me obriga a usar óculos especiais por cima dos óculos que eu já uso para ver ao longe.
E se quisermos piratear o filme temos ainda de segurar o telemóvel à frente da cara.
E se ficarmos na última fila temos de meter uns binóculos pequeninos daqueles que se usam na ópera e têm um pauzinho para segurar.
E se estiverem a cortar cebola ao nosso lado temos também de meter um óculos da natação para não chorar.
E se a sala de cinema for ao ar livre uma pessoa ainda tem de meter os óculos de sol. É preciso é ter cuidado para não olhar de raspão para o sol porque senão faz efeito lupa e queima os olhos, mesmo se as pálpebras estiverem para baixo. O sol faz um funil e abre um buraquinho no meio da pálpebra para queimar. Já vi no discovery.
Acho que vou esperar que o filme passe na tv.
E se quisermos piratear o filme temos ainda de segurar o telemóvel à frente da cara.
E se ficarmos na última fila temos de meter uns binóculos pequeninos daqueles que se usam na ópera e têm um pauzinho para segurar.
E se estiverem a cortar cebola ao nosso lado temos também de meter um óculos da natação para não chorar.
E se a sala de cinema for ao ar livre uma pessoa ainda tem de meter os óculos de sol. É preciso é ter cuidado para não olhar de raspão para o sol porque senão faz efeito lupa e queima os olhos, mesmo se as pálpebras estiverem para baixo. O sol faz um funil e abre um buraquinho no meio da pálpebra para queimar. Já vi no discovery.
Acho que vou esperar que o filme passe na tv.
Hoje é o dia internacional do pneu suplente.
Diz na wikipedia que este dia existe desde 1932 mas que as pessoas deixaram de celebrar nos anos 2000 porque os carros começaram a trazer um kit anti furo em vez do pneu suplente.
Ainda fizeram um comité para ver se mudavam o nome para dia internacional do kit anti furo, mas acharam que não tinha jeito nenhum.
Quando o pneu suplente apareceu ninguém o queria usar. As pessoas não queriam ter peso a mais no carro porque diziam que estragava as médias, e que quando travavam o pneu vinha sempre bater no tablier do carro e às vezes até mudava a estação do rádio.
Foi aí que decidiram que o pneu suplente não devia ir à balda no banco de trás, mas sim na mala debaixo de uma napa, tipo uma pessoa que é feita refém. Não se pode andar com pessoas raptadas na mala, mas com pneus reféns é na boa.
Tenho um primo que não traz o pneu suplente no carro, porque usou para fazer um baloiço na sala. Mas ainda não meteu as cordas e pendurou no tecto, por isso ainda só tem um michelin deitado a um canto da sala com um plástico por cima para tapar o cheiro a borracha. Ele diz que serve de puff e que quando uma pessoa se senta parece mesmo que está numa daquelas bóias de borracha do parque aquático a descer o túnel. Então se estiveres a beber um copo de água de rajada parece ainda mais.
Diz na wikipedia que este dia existe desde 1932 mas que as pessoas deixaram de celebrar nos anos 2000 porque os carros começaram a trazer um kit anti furo em vez do pneu suplente.
Ainda fizeram um comité para ver se mudavam o nome para dia internacional do kit anti furo, mas acharam que não tinha jeito nenhum.
Quando o pneu suplente apareceu ninguém o queria usar. As pessoas não queriam ter peso a mais no carro porque diziam que estragava as médias, e que quando travavam o pneu vinha sempre bater no tablier do carro e às vezes até mudava a estação do rádio.
Foi aí que decidiram que o pneu suplente não devia ir à balda no banco de trás, mas sim na mala debaixo de uma napa, tipo uma pessoa que é feita refém. Não se pode andar com pessoas raptadas na mala, mas com pneus reféns é na boa.
Tenho um primo que não traz o pneu suplente no carro, porque usou para fazer um baloiço na sala. Mas ainda não meteu as cordas e pendurou no tecto, por isso ainda só tem um michelin deitado a um canto da sala com um plástico por cima para tapar o cheiro a borracha. Ele diz que serve de puff e que quando uma pessoa se senta parece mesmo que está numa daquelas bóias de borracha do parque aquático a descer o túnel. Então se estiveres a beber um copo de água de rajada parece ainda mais.
Não sei porque é que na piscina obrigam a usar touca. Há lá pessoas que têm muito mais pêlo no corpo que cabelos. Um gajo com cabelo cortado à pente 1 é obrigado a usar touca, mas o senhor que parece ter um colete de pêlo, a ele ninguém lhe diz nada. São pêlos mesmo compridos, quase algas que aprenderam a nadar bruços.
Deviam era obrigar estas pessoas peludas a nadar com uma touca gigante no corpo, ou embrulhados em celofane, ou então com um fato de surf justo para não deixarem fugir os pêlos para longe. Também podiam usar calças skinny, mas tinham de esvaziar os bolsos para não largarem moedas no fundo da piscina. Senão em vez de uma piscina parecia que andávamos a nadar numa daquelas fontes em que se atira uma moeda e pede um desejo.
Vou apresentar-lhes esta ideia e já vos digo qualquer coisa.
Deviam era obrigar estas pessoas peludas a nadar com uma touca gigante no corpo, ou embrulhados em celofane, ou então com um fato de surf justo para não deixarem fugir os pêlos para longe. Também podiam usar calças skinny, mas tinham de esvaziar os bolsos para não largarem moedas no fundo da piscina. Senão em vez de uma piscina parecia que andávamos a nadar numa daquelas fontes em que se atira uma moeda e pede um desejo.
Vou apresentar-lhes esta ideia e já vos digo qualquer coisa.
"Dizem que uma pessoa nunca tem a percepção real da voz. Porque ecoa nos ossos da cabeça e tem a ver com o penteado, qualquer coisa assim. Um amigo meu por exemplo, no outro dia, foi entrevistado na rua para a televisão, e à noite quando foi a ver o telejornal descobriu que era gago. Hoje em dia os noticiários são mesmo uma bosta. Vai-se a querer ver uma reportagem sobre empreendedorismo e food trucks e essas coisas, e acaba-se a descobrir que se é gago.
Estive a explicar ao meu amigo isto da voz que nós ouvimos não é a voz que ele ouve. Ficou um bocado chocado e a mandar vir com toda a gente porque o deviam ter avisado há muito tempo. Agora fazia sentido porque é que nunca o deixaram ir ler na missa. Nenhum dos apóstolos era gago e isso podia baralhar muito as pessoas quando estavam a imaginar o discurso de São Paulo aos coríntios. Mas também não há maneira de saber se algum apóstolo era gago, não é uma coisa que venha à mão mencionar na bíblia: "o João era humilde, trabalhador e gago". É a bíblia, não é revista de fofoca.
Para deixar de ser gago ele disse que a partir de agora ia sempre falar a cantar. Dizem que os gagos a cantar não ficam gagos, mas não é bem assim porque ele chega à parte do refrão da 125 Azul e engasga-se na mesma. Mas também é só nessa. Por exemplo os parabéns a você já canta bem, até com aquela segunda estrofe do "tenha tudo do bom, do que a vida contém" e tudo!"
Estive a explicar ao meu amigo isto da voz que nós ouvimos não é a voz que ele ouve. Ficou um bocado chocado e a mandar vir com toda a gente porque o deviam ter avisado há muito tempo. Agora fazia sentido porque é que nunca o deixaram ir ler na missa. Nenhum dos apóstolos era gago e isso podia baralhar muito as pessoas quando estavam a imaginar o discurso de São Paulo aos coríntios. Mas também não há maneira de saber se algum apóstolo era gago, não é uma coisa que venha à mão mencionar na bíblia: "o João era humilde, trabalhador e gago". É a bíblia, não é revista de fofoca.
Para deixar de ser gago ele disse que a partir de agora ia sempre falar a cantar. Dizem que os gagos a cantar não ficam gagos, mas não é bem assim porque ele chega à parte do refrão da 125 Azul e engasga-se na mesma. Mas também é só nessa. Por exemplo os parabéns a você já canta bem, até com aquela segunda estrofe do "tenha tudo do bom, do que a vida contém" e tudo!"
De um conhecido meu:
"Estava na fila para pagar do supermercado quando a minha mulher me diz para esperar só um bocadinho que vai buscar sacos para o lixo. Mas já era a minha vez de pagar. Agora vale tudo para fazer tempo na caixa enquanto ela não chega.
Deixei passar a senhora que estava atrás de mim, mas ela levou a mal por achar que eu a estava a chamar de velha e que tinha prioridade. Velha ou não, era esquisita na mesma porque no cesto só tinha uma garrafa de vinho e umas meias de vidro. Talvez fosse sair à noite, ou então ia beber para ganhar coragem e assaltar um banco.
Para atrasar, tentei encravar o tapete rolante com um pacote de filipinos mas aquilo como é redondo só roda e não engaixa. Se tivesse comprado oreo se calhar já dava porque toda a gente sabe que pelo menos aos dentes aquilo agarra tudo.
O tapete rolante dos supermercados parece aquele dos ginásios a que eu nunca vou. Triste é ver que a minha comida passa mais tempo numa passadeira rolante que eu. Até as alfaces, que nem sequer precisam. É mesmo para me esfregar na cara que faço pouco exercício físico.
Entretanto a mulher da caixa começou a pesar as frutas. Comecei logo a dizer números em voz alta para ela se baralhar enquanto digitava o código de barras e ter de começar do início. Mas esta técnica não funcionou muito bem porque em vez da mulher ter registado cinco maçãs registou cinco melões caros. Isto sem contar com o melão com que fiquei.
Já sem compras, para não parecer que estava a a entupir a fila peguei num pacote de halls e meti no tapete. Quando o halls percorreu aquele metro e meio até à caixa, voltei a meter outro. E depois outro. Ao fim do décimo nono pacote de halls limão a minha mulher apareceu e disse que não encontrou sacos do lixo.
Agora lá em casa meto o lixo num saco da Zara, mas ando com o hálito super fresco."
"Estava na fila para pagar do supermercado quando a minha mulher me diz para esperar só um bocadinho que vai buscar sacos para o lixo. Mas já era a minha vez de pagar. Agora vale tudo para fazer tempo na caixa enquanto ela não chega.
Deixei passar a senhora que estava atrás de mim, mas ela levou a mal por achar que eu a estava a chamar de velha e que tinha prioridade. Velha ou não, era esquisita na mesma porque no cesto só tinha uma garrafa de vinho e umas meias de vidro. Talvez fosse sair à noite, ou então ia beber para ganhar coragem e assaltar um banco.
Para atrasar, tentei encravar o tapete rolante com um pacote de filipinos mas aquilo como é redondo só roda e não engaixa. Se tivesse comprado oreo se calhar já dava porque toda a gente sabe que pelo menos aos dentes aquilo agarra tudo.
O tapete rolante dos supermercados parece aquele dos ginásios a que eu nunca vou. Triste é ver que a minha comida passa mais tempo numa passadeira rolante que eu. Até as alfaces, que nem sequer precisam. É mesmo para me esfregar na cara que faço pouco exercício físico.
Entretanto a mulher da caixa começou a pesar as frutas. Comecei logo a dizer números em voz alta para ela se baralhar enquanto digitava o código de barras e ter de começar do início. Mas esta técnica não funcionou muito bem porque em vez da mulher ter registado cinco maçãs registou cinco melões caros. Isto sem contar com o melão com que fiquei.
Já sem compras, para não parecer que estava a a entupir a fila peguei num pacote de halls e meti no tapete. Quando o halls percorreu aquele metro e meio até à caixa, voltei a meter outro. E depois outro. Ao fim do décimo nono pacote de halls limão a minha mulher apareceu e disse que não encontrou sacos do lixo.
Agora lá em casa meto o lixo num saco da Zara, mas ando com o hálito super fresco."
Há pessoas que pela preguiça de cozinhar jantam cereais. Se eu tivesse de jantar cereais, pegava na tigela e sentava-me a comer em frente à televisão a ver um programa de culinária. Tenho a certeza que os cereais me iriam saber muito melhor.
Dependendo do programa que estivesse a ver, os chocapic iam saber a borrego no forno, bacalhau à lagareiro, salada mista se quisesse uma coisa mais light.
Para ser ainda mais realista, aos pratos que fossem mais crocantes ou que tivessem batatas fritas eu juntava leite frio para os cereais estarem sempre estaladiços; aos pratos mais molinhos tipo migas ou açorda era só juntar leite quente. Não sei se conseguiria matar a fome com estes cereais, mas se quisesse repetir também era só puxar atrás na box.
O problema era se me apetecesse jantar bifinhos com cogumelos e natas, porque nos programas de culinária o Jamie Oliver nunca tem de cozinhar para jantares de grupo da malta da universidade.
Não posso garantir que isto dos cereais funcione, porque senão, nas recolhas do banco alimentar para além de pedirem arroz e azeite também aceitavam dvds do masterchef.
Dependendo do programa que estivesse a ver, os chocapic iam saber a borrego no forno, bacalhau à lagareiro, salada mista se quisesse uma coisa mais light.
Para ser ainda mais realista, aos pratos que fossem mais crocantes ou que tivessem batatas fritas eu juntava leite frio para os cereais estarem sempre estaladiços; aos pratos mais molinhos tipo migas ou açorda era só juntar leite quente. Não sei se conseguiria matar a fome com estes cereais, mas se quisesse repetir também era só puxar atrás na box.
O problema era se me apetecesse jantar bifinhos com cogumelos e natas, porque nos programas de culinária o Jamie Oliver nunca tem de cozinhar para jantares de grupo da malta da universidade.
Não posso garantir que isto dos cereais funcione, porque senão, nas recolhas do banco alimentar para além de pedirem arroz e azeite também aceitavam dvds do masterchef.
As frutas que vemos no super mercado são todas iguais. Têm de obedecer a padrões de tamanho, forma, cor, e as que não forem “perfeitas” vão para o lixo. Isto é um bocado o que o hitler fazia com as pessoas, e não deixa de ser inquietante que hoje ainda há um mini nazismo na zona de frutas do super mercado. “Ai este pêssego tem uma cor um bocadinho mais escura? Pimbas, acabou.” E se por ventura uma fruta for considerada exótica mas conseguir chegar ao mercado, metem-lhe um selozinho para estar identificada das demais. É fruta que vive o estigma dos judeus.
O maior problema destas frutas selecionadas é que nós acabamos por estar a comer uma maça que é igual há 10 anos. Provámos uma granny smith, provámos todas! Por isso é que ninguém diz “Epá tu lembras-te daquela maça que comemos há 6 anos em Estarreja? Que categoria!” Não dizem isto porque normalmente as pessoas gostam de recordar sabores mais elaborados tipo chanfana ou leitão da Mealhada, que não consigam encontrar em qualquer pingo doce do bairro.
Por tudo isto é que nem sequer faz sentido as pessoas ficarem no super mercado a escolher a fruta peça a peça. Alguém já escolheu por nós! Aquilo é tudo igual. É preciso até ser-se um bocadinho arrogante para achar que vamos conseguir encontrar defeitos onde os apanhadores de fruta, as máquinas industriais com raios laser, os técnicos de bata, e os repositores de super mercado não conseguiram encontrar.
O maior problema destas frutas selecionadas é que nós acabamos por estar a comer uma maça que é igual há 10 anos. Provámos uma granny smith, provámos todas! Por isso é que ninguém diz “Epá tu lembras-te daquela maça que comemos há 6 anos em Estarreja? Que categoria!” Não dizem isto porque normalmente as pessoas gostam de recordar sabores mais elaborados tipo chanfana ou leitão da Mealhada, que não consigam encontrar em qualquer pingo doce do bairro.
Por tudo isto é que nem sequer faz sentido as pessoas ficarem no super mercado a escolher a fruta peça a peça. Alguém já escolheu por nós! Aquilo é tudo igual. É preciso até ser-se um bocadinho arrogante para achar que vamos conseguir encontrar defeitos onde os apanhadores de fruta, as máquinas industriais com raios laser, os técnicos de bata, e os repositores de super mercado não conseguiram encontrar.
Toda a gente se derrete com animais bebés. São sempre caçadores de likes no instagram. Uma pessoa compra um cão, normalmente um beagle ou um bulldog francês já com a perspectiva de fazer criação porque foi caro, e durante o primeiro ano criam-lhe um perfil para nos obrigarem a gostar da página do Piruças. Aquele cão é um like magnet, uma foto dele a dormir costuma ter mais likes que o post daquele gajo a anunciar que foi pai.
Entretanto o cão cresce e perde a magia. As fotos são cada vez mais raras, uma pessoa começa a pensar que o cão morreu ou foi viver para a casa da avó porque a incontinência dele não combinava com os tacos de madeira da sala. Isto é o primeiro ano de vida de um cão.
Já a vida da pomba bebé é uma vida lixada. Nunca ninguém viu uma pomba bebé. Em princípio os animais bebés são mais fofos, mas nós odiamos tanto as pombas que nem sequer queremos saber como é que elas são em pequenitas. Podem até dar mais likes que o Piruças, mas ninguém quer saber.
As pessoas dizem que as pombas têm doenças, mas eu não conheço ninguém que tenha ficado gripado por passar numa praça com pombas. Nunca nenhum médico prescreve antibióticos e pede para ficarmos longe do Rossio, ou ir à volta.
A pomba é o único animal que é socialmente aceitável nós atropelarmos e nem sequer parar para ver o que se passa. Toda a gente fica mais preocupada com o estrago no carro do que com o estado da pomba. A vida das pombas é desprezada. Não têm lugar nem no jardim zoológico nem na loja de animais. Nem sequer atrás das grades, quanto muito é à frente das grades, de um jipe a 50 km/h.
Entretanto o cão cresce e perde a magia. As fotos são cada vez mais raras, uma pessoa começa a pensar que o cão morreu ou foi viver para a casa da avó porque a incontinência dele não combinava com os tacos de madeira da sala. Isto é o primeiro ano de vida de um cão.
Já a vida da pomba bebé é uma vida lixada. Nunca ninguém viu uma pomba bebé. Em princípio os animais bebés são mais fofos, mas nós odiamos tanto as pombas que nem sequer queremos saber como é que elas são em pequenitas. Podem até dar mais likes que o Piruças, mas ninguém quer saber.
As pessoas dizem que as pombas têm doenças, mas eu não conheço ninguém que tenha ficado gripado por passar numa praça com pombas. Nunca nenhum médico prescreve antibióticos e pede para ficarmos longe do Rossio, ou ir à volta.
A pomba é o único animal que é socialmente aceitável nós atropelarmos e nem sequer parar para ver o que se passa. Toda a gente fica mais preocupada com o estrago no carro do que com o estado da pomba. A vida das pombas é desprezada. Não têm lugar nem no jardim zoológico nem na loja de animais. Nem sequer atrás das grades, quanto muito é à frente das grades, de um jipe a 50 km/h.
Tatuagens
Quanto menos livros uma pessoa lê ao longo da vida, maior é a probabilidade de ter palavras tatuadas no corpo.
Por exemplo, quem nunca pegou num dicionário de latim, está mais perto de ter uma tatuagem a dizer carpe diem.
Acontece a mesma coisa com os símbolos. Quanto menos se leu o manual de matemática, ou a tabuada do Ratinho, maior a probabilidade de ter um símbolo de infinito tatuado no pulso.
O símbolo de infinito é muito popular entre as tatuagens. Muitas pessoas têm, embora nem gostem muito. É a estante billy das tatuagens.
É engraçado que das aulas de matemática só o símbolo de infinito pegou moda nas tatuagens. Nunca vemos tatuagens da fórmula resolvente ou do teorema de pitágoras. Isso sim, uma coisa útil, porque nunca sabemos quando temos de medir uma corda de rappell que sai de um prédio qualquer até ao chão. Bastava olhar para o braço lá com a hipotenusa tatuada e montava-se alto desporto radical com a corda num comprimento bom e com a segurança adequada. Podia era haver grande stress nas aulas porque a tatuagem podia ser considerada copianço. Depois vinha o professor obrigar o aluno a fazer os exames de casaco comprido e com várias camadas de roupa grossa para ele não poder olhar para os braços durante o exame. Mesmo que o exame fosse num dia de muito calor!
Deve ser frustrante para os tatuadores terem de fazer estas tatuagens com os símbolos de infinito. São capazes de desenhar umas capelas sistinas nas costas de alguém e desviar o desenho dos sinais, mas acabam o dia a tatuar um 8 deitado num pulso. É como se um samurai que domine a espada tivesse de ganhar a vida a cortar picanha fininha num rodízio.
Por exemplo, quem nunca pegou num dicionário de latim, está mais perto de ter uma tatuagem a dizer carpe diem.
Acontece a mesma coisa com os símbolos. Quanto menos se leu o manual de matemática, ou a tabuada do Ratinho, maior a probabilidade de ter um símbolo de infinito tatuado no pulso.
O símbolo de infinito é muito popular entre as tatuagens. Muitas pessoas têm, embora nem gostem muito. É a estante billy das tatuagens.
É engraçado que das aulas de matemática só o símbolo de infinito pegou moda nas tatuagens. Nunca vemos tatuagens da fórmula resolvente ou do teorema de pitágoras. Isso sim, uma coisa útil, porque nunca sabemos quando temos de medir uma corda de rappell que sai de um prédio qualquer até ao chão. Bastava olhar para o braço lá com a hipotenusa tatuada e montava-se alto desporto radical com a corda num comprimento bom e com a segurança adequada. Podia era haver grande stress nas aulas porque a tatuagem podia ser considerada copianço. Depois vinha o professor obrigar o aluno a fazer os exames de casaco comprido e com várias camadas de roupa grossa para ele não poder olhar para os braços durante o exame. Mesmo que o exame fosse num dia de muito calor!
Deve ser frustrante para os tatuadores terem de fazer estas tatuagens com os símbolos de infinito. São capazes de desenhar umas capelas sistinas nas costas de alguém e desviar o desenho dos sinais, mas acabam o dia a tatuar um 8 deitado num pulso. É como se um samurai que domine a espada tivesse de ganhar a vida a cortar picanha fininha num rodízio.
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