De um conhecido meu:
"Estava na fila para pagar do supermercado quando a minha mulher me diz para esperar só um bocadinho que vai buscar sacos para o lixo. Mas já era a minha vez de pagar. Agora vale tudo para fazer tempo na caixa enquanto ela não chega.
Deixei passar a senhora que estava atrás de mim, mas ela levou a mal por achar que eu a estava a chamar de velha e que tinha prioridade. Velha ou não, era esquisita na mesma porque no cesto só tinha uma garrafa de vinho e umas meias de vidro. Talvez fosse sair à noite, ou então ia beber para ganhar coragem e assaltar um banco.
Para atrasar, tentei encravar o tapete rolante com um pacote de filipinos mas aquilo como é redondo só roda e não engaixa. Se tivesse comprado oreo se calhar já dava porque toda a gente sabe que pelo menos aos dentes aquilo agarra tudo.
O tapete rolante dos supermercados parece aquele dos ginásios a que eu nunca vou. Triste é ver que a minha comida passa mais tempo numa passadeira rolante que eu. Até as alfaces, que nem sequer precisam. É mesmo para me esfregar na cara que faço pouco exercício físico.
Entretanto a mulher da caixa começou a pesar as frutas. Comecei logo a dizer números em voz alta para ela se baralhar enquanto digitava o código de barras e ter de começar do início. Mas esta técnica não funcionou muito bem porque em vez da mulher ter registado cinco maçãs registou cinco melões caros. Isto sem contar com o melão com que fiquei.
Já sem compras, para não parecer que estava a a entupir a fila peguei num pacote de halls e meti no tapete. Quando o halls percorreu aquele metro e meio até à caixa, voltei a meter outro. E depois outro. Ao fim do décimo nono pacote de halls limão a minha mulher apareceu e disse que não encontrou sacos do lixo.
Agora lá em casa meto o lixo num saco da Zara, mas ando com o hálito super fresco."