Tatuagens

Quanto menos livros uma pessoa lê ao longo da vida, maior é a probabilidade de ter palavras tatuadas no corpo.
Por exemplo, quem nunca pegou num dicionário de latim, está mais perto de ter uma tatuagem a dizer carpe diem.

Acontece a mesma coisa com os símbolos. Quanto menos se leu o manual de matemática, ou a tabuada do Ratinho, maior a probabilidade de ter um símbolo de infinito tatuado no pulso.
O símbolo de infinito é muito popular entre as tatuagens. Muitas pessoas têm, embora nem gostem muito. É a estante billy das tatuagens.

É engraçado que das aulas de matemática só o símbolo de infinito pegou moda nas tatuagens. Nunca vemos tatuagens da fórmula resolvente ou do teorema de pitágoras. Isso sim, uma coisa útil, porque nunca sabemos quando temos de medir uma corda de rappell que sai de um prédio qualquer até ao chão. Bastava olhar para o braço lá com a hipotenusa tatuada e montava-se alto desporto radical com a corda num comprimento bom e com a segurança adequada. Podia era haver grande stress nas aulas porque a tatuagem podia ser considerada copianço. Depois vinha o professor obrigar o aluno a fazer os exames de casaco comprido e com várias camadas de roupa grossa para ele não poder olhar para os braços durante o exame. Mesmo que o exame fosse num dia de muito calor!

Deve ser frustrante para os tatuadores terem de fazer estas tatuagens com os símbolos de infinito. São capazes de desenhar umas capelas sistinas nas costas de alguém e desviar o desenho dos sinais, mas acabam o dia a tatuar um 8 deitado num pulso. É como se um samurai que domine a espada tivesse de ganhar a vida a cortar picanha fininha num rodízio.