As frutas que vemos no super mercado são todas iguais. Têm de obedecer a padrões de tamanho, forma, cor, e as que não forem “perfeitas” vão para o lixo. Isto é um bocado o que o hitler fazia com as pessoas, e não deixa de ser inquietante que hoje ainda há um mini nazismo na zona de frutas do super mercado. “Ai este pêssego tem uma cor um bocadinho mais escura? Pimbas, acabou.” E se por ventura uma fruta for considerada exótica mas conseguir chegar ao mercado, metem-lhe um selozinho para estar identificada das demais. É fruta que vive o estigma dos judeus.

O maior problema destas frutas selecionadas é que nós acabamos por estar a comer uma maça que é igual há 10 anos. Provámos uma granny smith, provámos todas! Por isso é que ninguém diz “Epá tu lembras-te daquela maça que comemos há 6 anos em Estarreja? Que categoria!” Não dizem isto porque normalmente as pessoas gostam de recordar sabores mais elaborados tipo chanfana ou leitão da Mealhada, que não consigam encontrar em qualquer pingo doce do bairro.

Por tudo isto é que nem sequer faz sentido as pessoas ficarem no super mercado a escolher a fruta peça a peça. Alguém já escolheu por nós! Aquilo é tudo igual. É preciso até ser-se um bocadinho arrogante para achar que vamos conseguir encontrar defeitos onde os apanhadores de fruta, as máquinas industriais com raios laser, os técnicos de bata, e os repositores de super mercado não conseguiram encontrar.