Toda a gente se derrete com animais bebés. São sempre caçadores de likes no instagram. Uma pessoa compra um cão, normalmente um beagle ou um bulldog francês já com a perspectiva de fazer criação porque foi caro, e durante o primeiro ano criam-lhe um perfil para nos obrigarem a gostar da página do Piruças. Aquele cão é um like magnet, uma foto dele a dormir costuma ter mais likes que o post daquele gajo a anunciar que foi pai.
Entretanto o cão cresce e perde a magia. As fotos são cada vez mais raras, uma pessoa começa a pensar que o cão morreu ou foi viver para a casa da avó porque a incontinência dele não combinava com os tacos de madeira da sala. Isto é o primeiro ano de vida de um cão.
Já a vida da pomba bebé é uma vida lixada. Nunca ninguém viu uma pomba bebé. Em princípio os animais bebés são mais fofos, mas nós odiamos tanto as pombas que nem sequer queremos saber como é que elas são em pequenitas. Podem até dar mais likes que o Piruças, mas ninguém quer saber.
As pessoas dizem que as pombas têm doenças, mas eu não conheço ninguém que tenha ficado gripado por passar numa praça com pombas. Nunca nenhum médico prescreve antibióticos e pede para ficarmos longe do Rossio, ou ir à volta.
A pomba é o único animal que é socialmente aceitável nós atropelarmos e nem sequer parar para ver o que se passa. Toda a gente fica mais preocupada com o estrago no carro do que com o estado da pomba. A vida das pombas é desprezada. Não têm lugar nem no jardim zoológico nem na loja de animais. Nem sequer atrás das grades, quanto muito é à frente das grades, de um jipe a 50 km/h.